10/02/2010
O Gado Jersey mocho nos Estados Unidos

A arte de criar Gado Jersey mocho tende a gerar bastante entusiasmo. Este entusiasmo pode vir do interesse em pedigrees e animais um pouco diferentes do comum ou no desconforto em se fazer um dos serviços mais desagradáveis de uma fazenda de leite. Qualquer que seja a razão, aparentemente há um interesse renovado no fator mocho.
Mesmo que a ideia de um rebanho todo de animais sem chifres deva estar fora do alcance para a maioria, os criadores de Jersey podem se beneficiar do uso de genes mochos, aumentando o número de animais sem chifres e garantindo que todos os animais mochos sejam identificados em seus rebanhos.

A Genética
O estudo da transmissão do gene mocho é uma lição fundamental sobre genética de gado de leite. De acordo com o Dr. John Reber (veterinário de Ohio, especialista no assunto), cada animal tem dois genes que determinam se ele vai ter chifres ou vai ser mocho natural. Um gene é herdado de cada pai. O caráter mocho é dominante e o de chifres é recessivo.
Se um animal carrega o gene mocho, seu genótipo será de mocho e seu fenótipo (ou a aparência externa) será sem chifres. Um animal homozigoto vai herdar dois dos mesmos genes – mocho ou de chifres – de seus pais. Um animal heterozigoto vai herdar um gene mocho e um gene para chifres.
A vantagem do caráter mocho é que em apenas uma geração já se ganha o gene. Usando-se um touro heterozigoto em vacas com chifres, metade dos bezerros resultantes vão ser animais mochos. Usando-se um touro homozigoto – que é raro – em vacas com chifres, todos os bezerros vão ser mochos.

Raízes do Gene Mocho nos Estados Unidos
Existe um debate se as primeiras importações americanas de gado da Ilha de Jersey foram de animais mochos ou com chifres. Todavia, um bezerro Jersey nascido sem chifres atualmente é incomum. Animais mochos naturais representam somente 13 de cada 1000 animais registrados na AJCA (Associação Americana de Gado Jersey – na sigla em inglês).
A maioria dos animais Jersey mochos registrados pela AJCA tem ancestrais que podem ser rastreados a 3 touros seminais: FAIR WEATHER DON VOLUNTEER-P e FAIR WEATHER CHAMPION SUPERB-P, ambos nascidos em 1952; e NORMSLAND BELLE BOY-P, nascido em 1960. As primeiras raízes do gene mocho podem ser rastreadas de “Belle Boy” até um touro mocho nascido em 1911 e uma vaca mocha nascida em 1907.
Sem dúvida, o mais influente criador americano de Gado Jersey mocho foi o falecido Stanley Chittenden, do Estado de New York, criador dos dois animais “Fair Weather”. Em 1983, Chittenden foi condecorado com o Master Breeder Award da AJCA, em parte pelo papel que teve em desenvolver genética de Jersey mocho nos Estado Unidos.
Foi a experiência que Chittenden teve com a descorna dos seus animais que gerou sua paixão por Jersey sem chifres. “Papai se envolveu com Jersey mocho quando ele construiu sua primeira sala de ordenha e fez a transição para o curral com gado solto”, explica Paul Chittenden (o filho mais velho de Stanley). “Ele ficou cansado das vacas batendo umas nas outras e disse que os chifres deveriam desaparecer. Ele fez o serviço da maneira mais difícil, com um cortador de chifres.”
“Naquela época, ele viu um anúncio de venda de 15 animais – todos mochos – do Rebanho Willow Brook em Tennessee,” acrescenta Chittenden, que continou o esforço de seu pai com gado mocho na Dutch Hollow Farms. “Ele e Doc Malnatu, nosso veterinário na época, pegaram um avião, compraram os animais e os trouxeram para casa de caminhão”.
Este rebanho foi a fonte de genética mocha tanto para “Don Volunteer-P” como para “Champion Superb-P” e outras incontáveis gerações de Jersey mocho nos Estados Unidos e no mundo.
“Superb-P” acabou se tornando o primeiro touro mocho a receber a designação de Senior Superior Sire. Seu nome é achado 6 gerações atrás no pedigree do touro mocho mais usado da raça, FAIR WEATHER OPPORTUNITY-P-ET. “Opportunity-P” ganha este título facilmente, com mais de 16.500 filhas (uma quantidade 4 vezes maior que qualquer outro de seus pares).
Stanley Chittenden foi bem sucedido em criar Gado Jersey mocho, funcional, longevo e rentável, porque ele nunca sacrificou a produção e a conformação para ter um animal sem chifres. “Papai cruzava um bom animal mocho com um bom animal de chifres, então ele se concentrava em cruzar a progênie mocha”, resumiu Paul.

Por que criar animais mochos?
Mesmo que os métodos de descorna tenham melhorado através dos anos, este serviço continua sendo um dos menos desejados e mais sujos de uma fazenda. “Eu imagino que ninguém gosta de fazer a descorna, não importa como isto seja feito”, observa Karin Knolle, da Creekside Farm, em Sandia, Texas.
Knolle, um ex diretora da AJCA, é a terceira geração em sua família a criar Jersey sem chifres. O rebanho que ela e seu pai, Pearson, possuem é aproximadamente 65% mocho. Seu avô, Henry Knolle, começou a criar Jersey mocho porque ele se preocupava com o estresse da amochação e os efeitos que ela tem nos bezerros durante um período importante para seu crescimento.
Como vários criadores de Jersey mocho, os Knolle foram muito influenciados por Stanley Chittenden. A início do rebanho mocho da família Knolle se deu com a compra de 20 cabeças de Chittenden, há mais de 25 anos. Em 1991, Knolle seguiu os passos do seu antecessor, sendo nomeado Master Breeder em parte pelo sucesso que ele obteve criando Jersey mocho.
Juntamente com alguns touros “Fair Weather” criados pelos Chittendes, um touro proeminente no programa de Knolle foi HANK ARON-P. O pai de sua avó é “Belle Boy” e sua mãe MAPLEROW MERCURY ARON-PTL-P, uma das fêmeas mochas com maior reconhecimento na raça.
A racionalidade que Chittenden e Knolle usavam para criar Jersey mocho ainda é apropriada hoje. O tempo e o gasto com a descorna são eliminados. Há uma redução na disseminação de doenças transmissíveis pelo sangue, machucados e problemas. E há um aumento no valor da Genética Jersey.
O fator mocho pode também ser importante para questões de fora da Indústria do Leite, incluindo aquelas preocupações com o bem estar animal. Knolle ressalta que “criar gado com o gene mocho é uma forma progressiva e proativa de lidar com esta questão. E, felizmente, é fácil fazer isto".

O Processo de Registro
Jerseys mochos são identificados na base de dados da AJCA com a inclusão da letra “P” como um sufixo ao nome de registro. Segundo Erick Metzger (Gerente de Serviços da AJCA), “quando o registro de um bezerro é marcado como mocho, o programa de processamento confere para ver se pelo menos um dos pais é mocho. Se este for o caso, a aplicação é aceita e o bezerro é identificado como sendo mocho”.
“Se o bezerro não tiver um pai mocho, nós checamos se um avô ou bisavô do lado materno é mocho”, continua Metzger, “talvez, gerações subsequentes poderiam ter sido registradas como mocho, mas não foram. Nós acertamos com o criador para trazer o gene mocho a frente quando podemos.”
Ocasionalmente, o gene mocho não é identificado até que o animal tenha filhos sem chifres. Este é o caso de FOXLAND JUNO KATIE 6F-P (foto), de propriedade de Waverly Farm, Clear Brook, Virginia. “Minha filha Claire e eu fazemos toda a descorna”, comenta Mike Stiles (da Waverly Farm). “Quando pegamos um bezerro filho da Katie, percebemos que ele não tinha chifres e ficamos imaginando por que. Nós fomos até a Katie e descobrimos que ela é mocha natural. Sua cabeça tem formato um pouco diferente, um pouco mais achatada. Como Katie foi comprada de um criador de Jersey no Canadá, Stiles acertou com a Jersey Canadá para rastrear seu pedigree”.
Identificar animais mocho naturais é um processo relativamente simples, como explica Paul Chittenden. “Logo que o bezerro nasce, nós tateamos o botão do chifre e identificamos-no como sendo mocho ou com chifres. Se não pudermos identificar se um animal é mocho ou não, nós voltamos a verificar quando o bezerro estiver mais velho".
Para, “seria ótimo se os criadores de Jersey prestassem mais atenção à característica mocha, para que todos os animais mochos pudessem ser registrados desta forma”, afirma Leroy Clark, de Spring Valley, Wisconsin. Seu rebanho Jersey (Cave Creek) tem aproximadamente 15-20% de animais mochos.

Potencial Mocho
Mesmo sendo incomuns, a Raça Jersey tem uma frequência mais alta de nascimentos de mochos naturais do que qualquer outra raça de leite. Combin isto com suas outras vantagens, a raça tem um pacote de atrativos para os produtores de leite em todo o mundo. “Mais do que qualquer outra raça, o Jersey tem o benefício mercadológico do fator mocho, porque ela é a mais apropriada para os climas tropicais e sub-tropicais”, comentou Palen. “Há também um grande potencial de crescimento na Europa, uma área que viu uma exposição limitada no passado”, Palen continuou. “O movimento pelos direitos dos animais, naquela parte do mundo, criou legislações que requerem uma descorna feita por veterinários, com anestesia e a um alto custo”.

Fonte: Jersey Journal, Edição Abril/2005

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