03/02/2010
Usando a conformação para identificar funcionalidade em vacas de leite

Atualmente, as vacas de leite enfrentam alguns dos maiores desafios de toda a história da atividade leiteira. Estes desafios incluem os estresses associados com níveis de produção sem precedentes, a expectativa para uma performance reprodutiva superior, o fornecimento de rações com mais energia, o alojamento sobre concreto e a exposição constante a todos os desgastes do manejo nos confinamentos modernos.
A duração da vida produtiva de uma vaca em um rebanho afeta diretamente a rentabilidade da produção de leite – animais com vidas produtivas mais longas reduzem os custos de reposição e aumentam a proporção de lactações com maiores produtividades (dos animais maduros). Desta forma, é fundamental que nós aumentemos as chances de sobrevivência de nossas vacas dentro dos rebanhos.
A sobrevivência de uma vaca de leite é influenciada por fatores genéticos e não-genéticos. Fatores não-genéticos incluem: tamanho e design das instalações, tipo das camas, disponibilidade e preço das novilhas de reposição. Fatores genéticos incluem: capacidade genética para altas produções e composição desejável do leite, parições não assistidas, ciclos reprodutivos normais, facilidade de concepção, manutenção de condição corporal adequada, resistência a desordens metabólicas e patógenos de mastite e habilidade para se mover de forma estável (exigindo mínimo casqueamento).
Uma vaca funcional – que esteja apta a cumprir as demandas atuais de produção de leite – somente vai atingir as metas desejadas se for suprida com alguns fatores fundamentais para alcançar a expressão total do seu potencial genético, tais como: ambiente, cuidados e alojamento. Muitas vacas fracassam na obtenção dos requerimentos genéticos e não-genéticos retro-mencionados e, como resultado disto, deixam seus rebanhos prematuramente. Estes animais são geneticamente inadequados e/ou vivem em um ambiente que compromete a expressão do seu potencial genético.

Sistema de Classificação
Na década de 70, as associações de criadores fizeram as tentativas iniciais para aumentar a longevidade das vacas leiteiras – através da seleção de características individuais – desenvolvendo os primeiros programas de avaliação linear de tipo. Pelas próximas duas décadas, tipo e longevidade foram considerados sinônimos e vários estudos abordaram as relações genéticas entre características lineares de tipo e longevidade.
Tradicionalmente, o foco primário de um sistema de classificação era o somatório final de sua pontuação. Muita importância era dada em se uma vaca tinha um escore “Bom”, “Muito Bom” ou “Excelente” e pouca ênfase era colocada na avaliação detalhada das características individuais que identificam pontos fortes e fracos dos animais. A classificação era historicamente utilizada para se estabelecer o valor comercial de um rebanho e dar aos criadores de elite um selo oficial que provava se um animal era valioso o bastante para ser um patriarca ou uma matriarca. No passado, pouco esforço foi feito para se usar a conformação de modo a melhorar a lucratividade em rebanhos mais comerciais.
A década passada viu uma mudança dramática no uso da classificação como uma ferramenta para o melhoramento dos rebanhos. A pontuação final de um animal ainda carrega muita importância e prestigio em rebanhos com investimentos elevados em melhoria de tipo. O programa de classificação hoje, no entanto, foca um conjunto de características compreensíveis que descrevem as forças e fraquezas de um animal, que coletivamente demonstram sua funcionalidade geral.
Apesar da herdabilidade da produção de leite e dos componentes associados ao leite ser relativamente alta, as características de conformação tem uma gama variada de herdabilidade – de 0,08 a 0,53 – com o escore final tendo uma herdabilidade de 0,26. Porém, mesmo com esta herdabilidade sendo variável, se nós avaliarmos as vacas superiores da raça nos últimos 100 anos, é bastante evidente que houve um incrível progresso genético na conformação corporal dos animais.
Atualmente, os rebanhos leiteiros são mais voltados ao comércio e menos focados nos animais individualmente. Gerar interesse em programas de melhoramento (especialmente a classificação) pode ser difícil, principalmente porque estas características nunca foram mostradas aumentando a lucratividade diretamente. O desafio mais iminente que as associações de criadores enfrentam é demonstrar claramente a relação entre tipo funcional e longevidade e, desta forma, aprimorar o melhoramento genético já existente.

Principais Características dos Animais
Se alguém comparar uma vaca de leite com uma máquina em uma fábrica, o aumento da produção em um ambiente estressante coloca mais desgaste nas peças. O ambiente e a operação da máquina podem ser melhorados, no entanto a solução ideal seria construir uma máquina que fosse mais resistente e durasse mais.
Avanços em gestão, alojamento, nutrição e genética elevaram as expectativas quanto às vacas de leite. Um desafio constante é melhorar geneticamente a estrutura (conformação) do animal para ser mais resistente e funcional, a fim de se aumentar a rentabilidade nos sistemas de confinamento modernos, de modo que a máxima saída (reprodução e produção) seja sustentada com o mínimo de entradas (comida, tratos veterinários e custos de reposição), durante uma vida longa.
Apesar da melhoria consistente na conformação física, uma parte significativa da variação genética da longevidade continua inexplicada pelas características existentes de tipo e produção. Alguns touros que transmitem altas produções e alto tipo tem filhas que tendem a deixar os rebanhos prematuramente. Desta forma, características de tipo podem ser usadas como um indicador indireto da expectativa de longevidade da filha de um touro, mas dados sobre descarte e fertilidade são necessários para explicar o resto da história.
Nós devemos reconhecer que a fertilidade das filhas e a sobrevivência dos animais são características econômicas importantes. Estas, por sua vez, são dependentes não apenas da conformação e das características de produção, mas também da saúde em geral e da fisiologia da vaca, bem como da sua resistência ao estresse causado pela alta produção e pelo confinamento.
Mais recentemente, a ênfase em frames maiores foi direcionada para um foco em vacas angulosas e aberta, com peito largo e profundidade de corpo suficiente para dar a funcionalidade necessária à produção consistente de grandes quantidades de leite. Altura suficiente ainda é requerida para alcançar o equilíbrio necessário com uma estrutura de esqueleto que dê força para sustentar o lombo e uma garupa com um ângulo correto.
A garupa representa a proeminência da pelve e sua importância na estrutura de pés e pernas, largura e aderência de úbere, bem como facilidade de parto não deve ser subestimada. Uma úbere fortemente aderida e bem balanceada, com uma textura fina vai suportar produções altas e persistentes durante a vida de uma vaca.
Todos estes atributos foram incorporados no sistema de classificação canadense com o objetivo de fazer uma vaca mais funcional.

Conclusão
A indústria do leite enfrenta um desafio único para melhorar constantemente a funcionalidade das vacas leiteiras, visando atender as demandas de produção e reprodução em anexo, para ver uma gravura ilustrativa do Programa de Avaliação de Vacas de Leite da Fazenda Ipiranga (Jersey JOPX). Este artigo tentou identificar algumas características importantes que podem ser avaliadas, para se predizer e melhorar a sobrevivência futura das filhas:
- Conformação de úbere
- Conformação de pés e pernas
- Conformação torácica e corporal
- Estrutura de lombo e garupa

O programa de classificação atual foca em um conjunto compreensivo de características individuais que descrevem as forças e fraquezas do animal e que, coletivamente, mostram sua funcionalidade geral. Como as características de conformação são herdáveis e, comprovadamente, tem relação com a funcionalidade, a seleção destas características é uma ferramenta efetiva para a melhora da funcionalidade dos rebanhos.
As Associações de Criadores devem continuar evidenciando a relação entre tipo funcional e longevidade e devem se assegurar que as ferramentas genéticas sejam aplicadas de forma inteligente, enquanto lutam para alcançar o progresso genético continuo, a fim de maximizar a funcionalidade das vacas leiteiras.

Fonte: Gordon Atkins, D.V.M.

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