14/03/2010
Programa de Avaliação de Vacas de Leite

PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DE VACAS DE LEITE FAZENDA IPIRANGA – JERSEY JOPX

Nos últimos anos, a intensa seleção para produção das vacas de leite resultou em uma prioridade diminuída sendo dada ao tipo funcional. As vacas show chegaram a ser criticadas por terem produção inadequada, serem muito grandes e terem um tipo desconectado do tipo comercial desejado pelo produtor de leite em geral.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores estavam desafiando a ciência (ou a sua falta), pregando o uso do tipo funcional de vacas para predizer sua longevidade. A mensagem que eles estavam transmitindo era que a maior longevidade poderia ser atingida com a criação de uma vaca mais forte, capaz de manter sua condição corporal através do período de transição e se manter saudável, prevenindo problemas de locomoção, mastite e desordens metabólicas.
Muitos criadores ao redor do mundo não comungam desta filosofia, todavia na Fazenda Ipiranga (JERSEY JOPX) as características de conformação funcional são essenciais para o Programa de Seleção de Vacas de Leite.
Se compararmos uma vaca de leite a uma máquina em uma fábrica, fica claro que uma melhoria contínua somente é possível se continuarmos a melhorar a funcionalidade e a durabilidade da máquina, bem como o ambiente em que ela opera. Desta forma, permanece um desafio constante para se melhorar a estrutura (conformação) dos animais, visando maximizar o potencial produtivo dos mesmos, de modo que as vacas se mantenham resistentes aos estresses dos sistemas de criação modernos e possam se manter livres de problemas ao longo de toda vida.
Neste contexto, o PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DE VACAS DE LEITE DA FAZENDA IPIRANGA (amplie a foto para melhor visualização) "Avaliação de Vacas" em anexo, para ver uma gravura esquemática) se baseia na conformação funcional dos animais, usando as 4 principais categorias abaixo:
 Conformação de Úbere
 Conformação de Pés e Pernas
 Força Leiteira
 Estrutura de Garupa e Lombo

Conformação de Úbere
Segundo o Dr. Gordon Atkins (Médico Veterinário do Canadá), a avaliação da conformação do úbere e a importância relativa colocada em cada uma de suas características componentes tem sido modificada através do tempo. Porém, qualquer discussão sobre conformação de úbere deve incluir uma descrição detalhada do seu aparato suspensor, uma vez que este ligamento à parede do abdomen ventral e ao piso pélvico é fundamental para a saúde e longevidade do úbere.
Muitas das mudanças indesejáveis nas características externas e localização do úbere podem ser atribuídas à uma fraqueza no aparato suspensor e estas mudanças são normalmente irreversíveis. A maturidade vai causar, naturalmente, um relaxamento dos ligamentos suspensores, porém o relaxamento excessivo pode causar úberes baixas e pendulosas, que são mais sucetíveis a ferimentos e infecções.
Formato, localização e força do ligamento do úbere são todas características herdáveis. A herdabilidade dessas características foi estimada entre 0,14 e 0,42 (Kistemaker and Huapaya, 2006). Desta forma, a seleção genética tem a habilidade de alterar a estrutura anatômica do úbere de uma vaca.
A seleção para aumento de produção nos últimos 250 anos fez com que o úbere aumentasse em tamanho e massa. Como resultado, o centro de gravidade do úbere se tornou mais caudal ou posterior e o aparato suspensor do úbere foi suplementado com um ligamento suspensor adicional ao piso pélvico.
Vários pesquisadores demonstraram uma relação consistente entre a conformação do úbere e a saúde/longevidade do mesmo. VonDorp et al., (1998), por exemplo, mostrou que vacas com tetos mais longos eram geneticamente propensas a maior incidência de mastites. Além disto, características do úbere - especialmente a altura do úbere acima do jarrete - foram mostradas influenciando positivamente a duração da vida produtiva das vacas.
Profundidade de úbere e facilidade de ordenha são responsáveis por 84% da contrribuição total das características de tipo para a longevidade funcional (Larroque and Ducrocq, 2001). Dados recentes do Canadá reportaram que a colocação dos tetos traseiros, a profundidade de úbere e a textura da úbere foram as características que tiveram uma influência significante na sobrevivência funcional (Sewalem et al., 2004).

Conformação de Pés e Pernas
Locomoção é uma avaliação qualitativa da habilidade da vaca andar normalmente. Por outro lado, avaliar a locomoção diretamente é a forma mais adequada de se determinar a qualidade dos pés e pernas de uma vaca.
Avaliações de locomoção envolvem a observação de uma vaca andando e a identificação de movimentos importantes, incluindo a colocação dos pés e a extensão da passada. A locomoção normal é caracterizada por uma passada longa e fluida, onde o pata traseira assenta na pegada produzida pela pata dianteira (do mesmo lado). Uma locomoção indesejável pode resultar no pata traseira sendo colocada fora da pegada da pata anterior, bem como uma passada mais curta e um decréscimo no ângulo do passo e na velocidade do andamento. De acordo com o Dr. Gordon Atkins (Canadá), a relação entre características de pés e pernas e locomoção foi estimada usando-se dados coletados em vários rebanhos, sendo que as correlações variam de 0,21 com qualidade de osso a 0,59 com vista posterior das pernas traseiras.
Estudos mostram que 86% de todos os problemas de locomoção envolvem as patas traseiras e que 85% de todos os problemas com os membros posteriores envolvem a unha externa, pois esta carrega mais peso (Blowey, R.W. 1998). A vaca tem respondido a isto desenvolvendo uma unha externa que é maior e mais grossa na sola e no talão do que a unha interna. Todavia, mesmo com estas adaptações, o aumento do estresse na unha externa ainda resulta em uma incidência significativamente maior de problemas de locomoção.
Vários pesquisadores demonstraram relações entre as características de pés e pernas e problemas clínicos de locomoção. A herdabilidade estimada das características de pés e pernas é baixa, variando de 0,08 a 0,30 (Kistemaker e Huapaya, 2006), no entanto, as características de tipo que mais influem no lucro de uma atividade leiteira, depois de se ajustar para produção, foram reportadas como sendo Pés e Pernas (Perez-Cabal and Alenda, 2002).
Esta associação pode ser atribuída à influência positiva que bons pés e pernas podem ter na reprodução e na fertilidade. Uma correlação genética favorável foi estimada entre Pés e Pernas e taxa de não-retorno (ao cio), sugerindo que vacas com bons pés e pernas tinham menor probabilidade de retornarem ao serviço (Wall, 2005). Sewalem et al. (2004) mostrara que vacas tendo ossatura extremamente pesada, talão baixo e pernas extremamente retas ou curvas tinham a longevidade funcional diminuída.

Força Leiteira – Conformação Abdominal e Torácica
O Sistema de Classificação no Canadá progrediu juntamente com o conhecimento da relação entre características corporais e longevidade. Como resultado, tamanho não é mais avaliado e estatura contribui com menos do que 3% do escore final. Além disto, estatura extrema recebe uma pequena dedução no Sistema Canadense.
Uma vaca com força leiteira desejável é caracterizada por ter costelas angulosas, abertas e bem arqueadas, com um peito aberto e uma profundidade corporal suficiente para ter a capacidade de converter grandes quantidades de forragem em leite de alta qualidade.
Estudos demostraram a relação entre a forma do corpo e a sobrevivência em vacas de leite. Vacas que são extremamente curtas, pequenas e com peito fechado tem um risco maior de serem descartadas em comparação com vacas intermediárias para estas características. Uma clara relação entre angulosidade e longevidade foi observada, indicando que vacas extremamente não-angulosas (escore 1) tiveram 2,47 vezes mais chances de serem descartadas do que aquelas com angulosidade intermediária (escore 5). Mais ainda, vacas extremamente angulosas (escore 9) tiveram 1,28 vezes menos chances de ser descartadas do que as com escore 5 (Sewalem et al. 2004).
Relações entre condição corporal e performance reprodutiva são, também, bem documentadas. Vacas com alto mérito genético para ECC (Escore de Condição Corporal), perdem menos condição corporal no início das lactações e, desta forma, experimentam um balanço energético negativo menos severo (Dechow et al., 2002). Além disto, estes pesquisadores reportaram que a correlação genética entre perda de condição corporal e dias ao primeiro serviço era de 0,68 na primeira lactação e de 0,44 na segunda lactação, indicando que enquanto a perda da condição corporal se tornou mais severa, dias ao primeiro serviço aumentou.
Capacidade torácica e abdominal, juntamente com angulosidade e feminilidade são atributos desejáveis para facilitar a habilidade das vacas leiteiras para processar grandes quantidades de matéria seca e sustentar altas produções e performance reprodutiva desejável.

Estrutura de Lombo e Garupa
Confrome o Dr. Atkins, a garupa de uma vaca de leite conecta várias outras estruturas importantes na região pélvica. As pernas traseiras se articulam com a pélvis, a úbere se liga à parede abdominal, que por sua vez se liga à pélvis pelo tendão pré-púbico e a parte traseira da úbere se liga diretamente ao chão da pélvis pelos ligamentos suspensores. Para completar, o lombo está diretamente ligado à pélvis na junção lumbo-sacral.
Essencialmente, a garupa e as estruturas de lombo prendem as regiões abdominal e lombar da vaca aos seus pés e pernas e ao sistema mamário. Sem uma força adequada nesta área, a vida produtiva de uma vaca fica seriamente comprometida.
A posição do ísquio e do ílio define a largura possível da pélvis para acomodar uma desejável úbere traseira alta e larga. Uma garupa larga e com ângulo correto é característica da estrutura pélvica que permite fácil passagem para o bezerro no nascimento e drenagem necessária dos fluídos pós-parto, de modo a prevenir infecções reprodutivas e problemas de fertilidade relacionados. Ali and Schaeffer (1984) descreveram o fenótipo ideal de garupa para facilitar o parto como aquele que tem ísquios suavemente mais baixos do que ílios, a vulva quase vertical (quando vista pela lateral), coletivamente mostrando uma garupa longa e larga com um arco pélvico bem definido. Finalmente, ausência de anormalidades como um ânus avançado e correta inserção de cauda, para não afetar negativamente a reprodução.
Ísquios mais altos (garupa invertida) estão associados a uma inversão indesejável no canal da vagina. Com este tipo de ângulo, o trato reprodutivo fica mais sujeito a infecções, uma vez que fica em uma posição mais profunda na cavidade abdominal e a vagina se torna incapaz de uma drenagem adequada (Astis, 2002). Durante o parto, o caminho natural de saída para um bezerro é em um ângulo descendente. Garupas invertidas tem uma associação genética com intervalos entre partos mais longos e ineficientes (Walls, 2005).
Pesquisas mostram que animais com ísquios mais altos e garupas mais estreitas estão mais sujeitos a partos difíceis (Cue, 1990). Além disto, estes animais tem maior predisposição a retenções de placenta. (VanDorp et al., 1998).
Além dos efeitos positivos na reprodução, pesquisadores reportaram uma forte ligação entre garupa largas e com ângulo correto e aumento da longevidade. Animais com ângulos intermediários de garupa (declividade de 1-2 polegadas) tiveram uma vida produtiva maior (menor taxa de descarte) do que animais com garupas extremamente baixas.

Apesar de não haver dúvidas de que as pistas de julgamento são ótimas para se mostrar a excelência em conformação, muitos produtores de leite não dão a mesma prioridade para a conformação dos seus animais. Não obstante, a Fazenda Ipiranga (JERSEY JOPX) vem fazendo a avaliação sistemática de seu rebanho Jersey, para garantir que a funcionalidade e a longevidade dos seus animais não fique prejudicada!

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