15/07/2014
Características de Tipo e Descarte: Perfil de uma Vaca Jersey de Baixo Risco

O que faz uma vaca Jersey durar? Esta é uma pergunta muito pertinente hoje, dado o preço de novilhas de reposição. Práticas de gestão, incluindo conforto animal, cuidados veterinários e nutrição desempenham um papel fundamental, mas o foco deste artigo são as características lineares de tipo. Como as características de tipo são altamente hereditárias e podem ser medidas no início da vida, muitas vezes podem servir como preditores úteis de sobrevivência das vacas. O objetivo do estudo foi determinar como cada característica linear aumenta ou diminui o risco de uma vaca ser eliminada do rebanho.

Como o estudo foi feito

Os dados usados foram: tipo, produção e dados de sobrevivência de 268 mil vacas Jersey nos EUA com primeiro parto de janeiro de 1981 a agosto de 2000. Estes dados foram ajustados para os efeitos de rebanho, ano e estação (quando a vaca e/ou suas contemporâneas foram abatidas), idade ao primeiro parto, consanguinidade e produção de leite. Uma vez que a produção das vacas foi considerada, a variável de sobrevivência neste estudo foi a vida funcional do rebanho, que é uma medida de descarte involuntário. Escores de primeira lactação para 13 características lineares de tipo foram avaliados de forma independente. As vacas foram agrupadas em 10 classes para cada característica; estas classes correspondiam às pontuações lineares de 1-5, 6-10, 11-15 e assim por diante até 46-50. Os resultados foram expressos como o risco relativo de abate para vacas, com cada pontuação linear de tipo, em relação a uma vaca com uma pontuação ideal para a característica. Como muito poucas vacas receberam pontuação inferior a (ou igual a) 5 ou superior a 45, os resultados são apresentados para os oito grupos (2 a 9) com escores lineares 6-45.

O que aprendemos

Conforme demonstrado na Tabela 1 (foto), a estatura não foi um preditor útil de sobrevivência das vacas. Escores de 11-15, 16-20 e 41-45 foram ótimos, mas o risco de abate de vacas na classe mais pobre (pontuação 36 a 40) foi apenas 6% maior do que o de uma vaca 'ideal'. Escores nas faixas de 11-15 e 16-20 foram ideais para força, da mesma forma, mas para essa característica, as vacas com escore de 41-45 estavam 30% mais propensas a ser abatidas do que as vacas com escores nos intervalos ideais. Por forma leiteira, escores de 21-25 foram ótimos. Com alto risco de abate estavam as vacas marcando 41-45 (38%) e 36-40 (14%). É importante lembrar que analisou-se a vida funcional do rebanho, de modo que o abate voluntário de vacas de baixa produção não foi considerado. Para ângulo garupa, vacas com garupas altas (6-10) estavam apenas 4% mais propensas a ser abatidas do que as vacas com pontuações intermediárias de 16-20 e 21-25. Porém, vacas com garupas escorridas (notas 41 a 45) tiveram 16% mais chance de ser abatidas. A largura da garupa teve uma faixa ótima de 11-15, com as vacas de pontuação alta (variação de 36 a 40) apresentando um risco 18% maior de descarte involuntário.

Características de Pernas e Pés foram, geralmente, mais importantes do que características relacionados ao tamanho corporal dos animais. Escores intermediários de 21-25 e também um pouco inferiores (11 a 15), foram ideais para o conjunto de pernas traseiras. Vacas que desviaram, exibindo pernas traseiras extremamente retas (escores 6-10), tiveram um risco 4% maior de abate do que vacas intermediárias. Todavia, as vacas com as pernas traseiras extremamente curvas (escores 41-45) estavam 30% mais propensas a ser abatidas. Ângulo de pé também foi muito importante com respeito à sobrevivência das vacas. Altas pontuações (41 a 45) foram as melhores e as vacas com um ângulo muito baixo de pé (escores 6-10) foram 22% mais propensas a ser abatidas. Como esperado, as características de úbere foram de longe as mais importantes. Vacas com pontuações de úbere anterior de 36-40 sobreviveram por mais tempo. Vacas com escores na faixa de 6-10 tiveram 53% mais probabilidade de serem abatidas e aquelas marcando 11-15 tiveram um risco 37% maior. Para altura de úbere posterior e largura de úbere, notas de 36-40 e 21-25 foram ótimas, respectivamente. Vacas de baixa pontuação (variação de 6 a 10) tiveram 30% e 15% mais risco de abate, respectivamente, mas as vacas de alta pontuação (escala 41 a 45) tiveram também maior risco (18% e 16%, respectivamente) do que uma vaca ideal. Profundidade do úbere foi, facilmente, a característica mais importante. Notas de 41-45 foram mais desejáveis e vacas com notas extremamente baixas (6-10) tiveram um espantoso aumento de 125% no risco de abate do que uma vaca de alta pontuação. Vacas nas faixas de 11-15 e 16-20, respectivamente, também estavam 78% e 50% em maior risco. Ligamento de úbere foi o segundo em importância, com vacas marcando de 6-10 tendo um risco 76% maior de abate do que vacas na faixa ideal de 21-25. Por último, as pontuações para colocação de tetos de 31-35 foram os preferidos e vacas com tetos abertos (escores 6-10) tiveram uma chance 31% maior de serem abatidas. Infelizmente, não há dados históricos suficientes sobre de comprimento de tetos, para que se possa incluí-los no estudo, mas – com base em pesquisas em de outras raças – é provável que teria sido um bom preditor de sobrevivência das vacas também.

Em resumo

Os principais pontos do estudo:

• A sobrevivência das vacas está aumentando em importância, devido a uma escassez de novilhas de reposição de alta qualidade.

• As características lineares de tipo podem ser preditores úteis da sobrevivência das vacas Jersey.

• As características de úbere, especialmente profundidade de úbere, tem um grande efeito sobre a sobrevivência.

• As características de pés e pernas também são importantes, embora não tão críticas como as características de úbere.

• Entre as vacas com produção equivalente, uma forma leiteira intermediária é a preferida.

• As características de tamanho corporal e garupa são menos úteis, no que diz respeito à previsão de sobrevivência das vacas.

• Outras características, incluindo fertilidade e contagem de células somáticas, também desempenham um papel fundamental na sobrevivência das vacas.

Adaptado do estudo realizado por Kent A. Weigel, Ph.D. (Especialista em Genética da Universidade do Wisconsin e Administrador do Programa Genético da NAAB - National Association of Animal Breeders)



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